A espera
Antes que soe o pressuroso timbre
E abram a porta e entres, ó esperada
Pela ansiedade, o universo deve
Já ter executado uma infinita
Série de actos concretos. Ninguém pode
Medir essa vertigem, esse número
Do que é multiplicado pIos espelhos,
De sombras que se alargam e regressam,
De passos que divergem e convergem.
Não saberia a areia numerá-los.
(O relógio de sangue, no meu peito,
Mede o receoso tempo dessa espera.)
Antes que venhas,
Um monge tem de sonhar com uma âncora,
Um tigre tem de morrer em Samatra,
Nove homens têm de morrer em Bornéu.
Jorge Luis Borges (Buenos Aires, Agosto 24, 1899 – Genebra, Junho 14, 1986)