Alejandra Pizarnik (1936 – 1972)
(tradução livre)
MR0408010
..
não,
as palavras não fazem o amor
fazem a ausência
se digo água: beberei?
se digo pão: comerei?
.
*...
Origem
.
Há que salvar o vento
os pássaros incendeiam o vento
nos cabelos da mulher solitária
que regressa da natureza
e tece tormentos
Há que salvar o vento
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*
.
A carência
Eu não percebo de pássaros
não conheço a história do fogo
Mas julgo que a minha solidão deveria ter asas
.
*
..
.
Recordo a minha meninice
quando eu era uma anciã
as flores morriam nas minhas mãos
porque a selvagem dança da alegria
lhes destruía o coração.
Recordo as negras manhãs de sol
quando era menina
quer dizer ontem/ quer dizer há séculos.
*
..
não quero ir
nada mais
que até ao fundo
.
*
. Alejandra Pizarnik nasceu em Buenos Aires, em 29 de Abril de 1936, numa família de imigrantes da Europa do Leste. Estudou filosofia e letras na Universidade de Buenos Aires e, mais tarde, pintura com Juan Batlle Planas. Entre 1960 e 1964 Pizarnik viveu em París onde trabalhou na revista "Cuadernos" e nalgumas editoriais francesas; publicou poemas e críticas em vários diários, traduziu Antonin Artaud, Henri Michaux, Aimé Cesairé e Yves Bonnefoy; estudou história da religião e literatura francesa na Sorbonne. De regresso a Buenos Aires Pizarnik publicou três das suas principais obras, "Los trabajos y las noches", "Extracción de la piedra de locura" e "El infierno musical", assím como o seu trabalho em prosa "La condesa sangrienta". Recebeu as bolsas Guggenheim em 1969 e Fullbright em 1971. Alejandra Pizarnik suicidou-se em 25 de Setembro de 1972 em Buenos Aires aos 36 anos. | |