Relíquias
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O hemisfério austral. Sob a sua álgebra
de estrelas por Ulisses ignoradas,
um homem procura e procurará
as relíquias daquela epifania
que lhe foi dada, há tantos anos,
do outro lado de uma numerada
porta de hotel, junto ao perpétuo Tamisa,
que flui como flui o outro rio,
o ténue tempo elementar. A carne
esquece pesares e alegrias.
O homem espera e sonha. Vagamente
resgata umas triviais circunstâncias.
Um nome de mulher, uma brancura,
um corpo já sem cara, a penumbra
de uma tarde sem data, um chuvisco,
umas flores de cera sobre um mármore
e as paredes, cor-de-rosa pálido.
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Jorge Luís Borges ( 1899-1986)*