"o sonho de um é parte da memória de todos." 

Jorge Luis Borges

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EM ESCUTA:

RDP

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DISTINÇÃO MNEMOSYNE

Alejandra

posted 10 Aug 2004

Alejandra Pizarnik (1936 – 1972) 

(tradução livre)

MR0408010

..

não,

as palavras não fazem o amor

fazem a ausência

se digo água: beberei?

se digo pão: comerei?

 .

*...

Origem

.

Há que salvar o vento

os pássaros incendeiam o vento

nos cabelos da mulher solitária

que regressa da natureza

e tece tormentos

Há que salvar o vento

.

*

.

A carência  

Eu não percebo de pássaros

não conheço a história do fogo

Mas julgo que a minha solidão deveria ter asas 

.

*

..

.

Recordo a minha meninice

quando eu era uma anciã

as flores morriam nas minhas mãos

porque a selvagem dança da alegria

lhes destruía o coração.

Recordo as negras manhãs de sol

quando era menina

quer dizer ontem/ quer dizer há séculos.

*

..

não  quero ir

nada mais

que até ao fundo

.

*

.

Alejandra Pizarnik nasceu em Buenos Aires, em 29 de Abril de 1936, numa família de imigrantes da Europa do Leste. Estudou filosofia e letras na Universidade de Buenos Aires e, mais tarde, pintura com Juan Batlle Planas. Entre 1960 e 1964 Pizarnik viveu em París onde trabalhou na revista "Cuadernos" e nalgumas editoriais francesas; publicou poemas e críticas em vários diários, traduziu Antonin Artaud, Henri Michaux, Aimé Cesairé e Yves Bonnefoy; estudou história da religião e literatura francesa na Sorbonne. De regresso a Buenos Aires Pizarnik publicou três das suas principais obras, "Los trabajos y las noches", "Extracción de la piedra de locura" e "El infierno musical", assím como o seu trabalho em prosa "La condesa sangrienta". Recebeu as bolsas Guggenheim em 1969 e Fullbright em 1971. Alejandra Pizarnik suicidou-se em 25 de Setembro de 1972 em Buenos Aires aos 36 anos.