"o sonho de um é parte da memória de todos." 

Jorge Luis Borges

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DISTINÇÃO MNEMOSYNE

Claude Lévi Strauss (em 2005)

30 Aug 2009 3:35 P GMT+01
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Em busca da linguagem perdida...

29 Aug 2009 5:47 P GMT+01
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O mestre da linguagem

27 Aug 2009 6:34 P GMT+01

"O homem age como se fosse o senhor e mestre da linguagem, enquanto na verdade a linguagem permanece mestra do homem."

Martin Heidegger (1889-1976)

A reflectir:

Heidegger tem razão, porém, intencionalmente, oculta a questão primordial: sem homem não há linguagem. Mesmo que - usando as concepções de Heidegger - a linguagem não pertencesse ao homem ela não existiria sem ele. Diríamos: sim é verdade, senhor e mestre não! Talvez companheiro fosse, de facto, mais adequado...

MR090828

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História de Gilgamesh

25 Aug 2009 3:45 P GMT+01

História de Gilgamesh (Jorge Luis Borges, Livro dos Sonhos, tradução Claudio Fornari)
(Encontrada algures na Net em português-Brasil)
 
 

Gilgamesh, dois terços deus, um terço homem, vivia em Erech. Invencível entre os guerreiros, governava com mão de ferro; os jovens o serviam e ele não deixava incólume uma só donzela. O povo rogou a proteção divina, e o senhor do firmamento ordenou a Aruru (a deusa que havia modelado o primeiro homem com argila) que modelasse um ser capaz de enfrentar Gilgamesh e tranqüilizar seu povo.
Aruru formou uma criatura a quem deu o nome de Enkidu. Era peludo, tinha longas tranças, cobria-se com peles, vivia com as feras e comia erva. Dedicou-se, também, a destroçar armadilhas e a salvar animais. Quando Gilgamesh se inteirou disso, ordenou que se enviasse a ele uma donzela nua. Enkidu possuiu-a durante sete dias e sete noites, no final das quais as gazelas e as feras o desconheceram e ele notou que suas pernas já não eram tão ligeiras. Havia-se transformado em homem.
A menina achou que Enkidu se tinha tornado formoso. Convidou-o a conhecer o templo resplandecente onde o deus e a deusa se sentavam juntos, assim como toda a Erech, onde Gilgamesh imperava.

Na véspera do ano novo Gilgamesh preparava-se para a cerimônia da hierogamia quando apareceu Enkidu e o desafiou. A multidão, embora surpreendida, sentiu-se aliviada.

Gilgamesh havia sonhado que estava de pé sob as estrelas, quando do firmamento caía sobre ele um dardo que não se podia arrancar. Depois, uma tocha enorme se incrustava no centro da cidade.
Sua mãe lhe disse que o sonho previa a chegada de um homem mais forte do que ele e que se tornaria seu amigo. Lutaram os dois e Gilgamesh foi atirado ao pó por Enkidu, que compreendeu, todavia, que seu contendor não era um tirano jatancioso e sim um valente que não se desviava. Levantou-o, abraçou-o e ambos firmaram amizade.

Espírito aventureiro, Gilgamesh propôs a Enkidu cortar um dos cedros do bosque sagrado. "Não é fácil — respondeu-lhe este — pois está guardado pelo monstro Humbaba, de voz de trovão, e com um olho único cuja mirada petrifica a quem observa; vomita fogo e seu hálito é uma praga".
"Que dirás aos teus filhos quando eles te perguntarem o que fazias no dia em que tombou Gilgamesh?"
Isto convenceu Enkidu.

Gilgamesh contou seu plano aos anciãos, ao deus do sol, à sua própria mãe, à rainha celestial Ninsun, e todos o desaprovaram. Ninsun, que conhecia a teimosia de seu filho, pediu para ele a proteção do deus do sol e a obteve. Então, nomeou Enkidu seu guarda de honra.
Gilgamesh e Enkidu chegaram a floresta dos cedros.
O sono venceu-os; o primeiro sonhou que uma montanha desabava sobre ele, quando um homem bem apessoado liberou-o da pesada carga e ajudou-o a pôr-se de pé.Disse Enkindu: — Está claro que derrotaremos Humbaba.
Enkidu por sua vez sonhou que o céu retumbava e a terra estremecia, que imperavam as trevas, que caía um raio e ocorria um incêndio e que a morte chovia do céu, até que a resplandecência diminuiu, apagou-se o fogo e as centelhas caídas se transformaram em cinza.

Gilgamesh interpretou isto como uma mensagem adversa, porém convidou Enkindu a continuar. Derrubou um dos cedros, e Humbaba se preciptiou sobre eles. Pela primeira vez Gilgamesh sentiu medo. Os dois amigos, porém, dominaram o monstro e lhe cortaram a cabeça.

Gilgamesh limpou-se da poeira e vestiu suas roupas reais. A deusa Istar apresentou-se a ele e pediu que fosse seu amante, prometendo cobri-lo de riquezas e rodeá-lo de deleites. Mas Gilgamesh conhecia a traidora e inflexível Istar, assassina de Tammuz e de inumeráveis amantes. Despeitada, Istar pediu a seu pai que lançasse à terra o touro celestial, e ameaçou romper as portas do inferno e deixar que os mortos sobrepujassem os vivos.

—  Quando o touro desça dos céus, sete anos de miséria e de fome cobrirão a terra. Previste isto?
Istar respondeu que sim.

O touro então foi lançado à terra. Enkidu torceu-o pelos chifres e lhe cravou a espada no pescoço. Junto com Gilgamesh, arrancou o coração do animal e ofertou-o ao deus do sol.

Das muralhas de Erech, Istar presenciava a luta. Saltou por cima dos baluartes e amaldiçoou Gilgamesh. Enkindu arrancou as nádegas do touro, atirando-as no rosto da deusa.
—  Gostaria de fazer-te o mesmo!Istar foi derrotada e o povo aclamou os matadores do touro celestial. Mas não é possível zombar dos deuses.
Enkidu sonhou que os deuses estavam reunidos em assembléia, deliberando sobre quem seria o maior culpado, se ele ou Gilgamesh, da morte de Humbaba e do touro celestial. O principal culpado morreria. Como não chegavam a um acordo, Anu, o pai dos deuses, disse que Gilgamesh, não apenas tinha matado o touro, como também tinha cortado o cedro. A discussão tornou-se violenta e os deuses se insultaram uns aos outros. Enkidu despertou sem conhecer o veredicto. Narrou seu sonho a Gilgamesh e durante a longa insônia que se seguiu recordou sua despreocupada vida animal. Mas lhe pareceu ouvir vozes que o consolavam.

Várias noites depois tornou a sonhar. Um forte grito chegava do céu até a terra e uma espantosa criatura com cara de leão e asas e garras de águia o apresava e o levava ao vazio. Saíram-lhe plumas dos braços e começou a parecer-se com o ser que o levava. Compreendeu que havia morrido e que uma harpia o arrastava por um caminho sem volta. Chegaram à mansão das trevas, onde as almas dos grandes da terra o rodearam. Eram desajeitados demônios com asas emplumadas, que se alimentavam de restos. A rainha do inferno lia em suas tábuas e pesava os antecedentes dos mortos.

Quando despertou, os dois amigos se inteiraram, do veredicto dos deuses. E Gilgamesh cobriu o rosto de seu amigo com um véu e, com grande dor pensou: Agora já vi o rosto da morte.
Em uma ilha nos confins da terra vivia Utnapishtin, um homem muito, muito velho, o único mortal que havia conseguido escapar da morte. Gilgamesh decidiu buscá-lo e aprender com ele o segredo da vida eterna.

Chegou ao fim do mundo, onde uma altíssima montanha elevava seus picos gêmeos ao firmamento e enfiava suas raízes nos infernos. Um portão era guardado por criaturas terríveis e perigosas, metade homem, metade escorpião. Avançou decidido e disse aos monstros que ia em busca de Utnapishtin.
—  Ninguém jamais chegou até ele nem logrou conhecer o segredo da vida eterna. Guardamos o caminho do sol, que nenhum mortal pode transitar.
—  Eu o farei — disse Gilgamesh. E os monstros, compreendendo que se tratava de um mortal não comum, deixaram-no passar.
Penetrou Gilgamesh; o túnel se fazia cada vez mais escuro, até que um ar lhe chegou ao rosto e entreviu uma luz. Quando saiu a elá, encontrou-se em um jardim encantado, onde resplandeciam pedras preciosas.
A voz do deus do sol chegou até ele. Encontrava-se nos jardins das delícias e desfrutava de uma graça que os deuses não haviam outorgado a nenhum mortal. "Não esperes alcançar mais".
Gilgamesh, porém avançou além do paraíso, até que, cansado, chegou a uma pousada. A estalajadeira Siduri confundiu-o com um vagabundo, mas o viajante se deu a conhecer e contou seu propósito.
—  Gilgamesh, nunca encontrarás o que buscas. Os deuses criaram os homens e lhe deram a morte por destino; para eles mesmos reservaram a vida. Saberás que Utnapishtin vive em uma ilha longínqua, além do oceano da morte. Mas eis aqui Urshanabi, seu barqueiro, que se encontra na pousada.
Tanto insistiu Gilgamesh, que Urshanabi concordou em transportá-lo, não sem antes preveni-lo de que por nenhum motivo tocasse as águas do oceano.
Muniram-se de cento e vinte varas, mas foi necessário que Gilgamesh utilizasse sua camisa como vela.
Quando chegaram, Utnapishtin lhe disse:
— Ah, jovem, nada há de eterno na terra. A mariposa vive somente um dia. Tudo tem seu tempo e época. Mas eis aqui meu segredo, somente conhecido dos deuses.
E lhe contou a história do dilúvio. O bondoso E o havia prevenido, e Utnapishtin construiu uma arca na qual embarcou com sua família e seus animais. Em meio à tempestade navegaram sete dias, e a barca encalhou no topo de uma montanha. Soltou uma pomba para ver se as águas haviam baixado, porém a ave voltou por não encontrar onde pousar. O mesmo ocorreu com uma andorinha. O corvo, porém, não regressou. Desembarcaram e fizeram oferendas aos deuses, porém o deus dos ventos os fez reembarcar e os conduzir até onde estavam agora, para que aí morassem eternamente.
Gilgamesh compreendeu que o ancião não tinha nenhuma fórmula para lhe dar. Era imortal, mas somente por um favor único dos deuses. O que Gilgamesh buscava não poderia ser achado deste lado da sepultura.

Antes de despedir-se, o velho disse ao herói onde poderia achar uma estrela-do-mar com espinhos de rosa. A planta concedia a quem a saboreasse uma nova juventude! Gilgamesh obteve-a do fundo do oceano, porém quando descansava de seu esforço, uma serpente a roubou, comeu-a, desprendeu-se de sua velha pele e recobrou a juventude.

Gilgamesh compreendeu que seu destino não diferia do destino do resto da humanidade e regressou a Erech.


Conto babilônico do segundo milênio A.C.
 (A “Epopeia de Gilgamesh” original constitui a primeira narrativa épica conhecida da humanidade. Foi encontrada na Suméria escrita em sinais cuneiformes em 12 tábuas de argila.   

O poema (em inglês): http://www.ancienttexts.org/library/mesopotamian/gilgamesh/tab1.htm (tab 1/12) 

Mitologia suméria: http://www.sacred-texts.com/ane/sum/sum07.htm

Mapas: http://www.bibleorigins.net/Sumer_Map.jpg ; http://www.hyperhistory.com/online_n2/maptext_n2/sumer.html ; http://encarta.msn.com/media_461553469_761576369_-1_1/Kingdom_of_Sumer.html ; http://oi.uchicago.edu/OI/PROJ/NIP/PUB93/NSC/NSCFIG1.html 

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Soneto 133

24 Aug 2009 5:29 P GMT+01

 

 O tempo acaba o ano, o mês e a hora,

a força, a arte, a manha, a fortaleza;

o tempo acaba a fama e a riqueza,

o tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba o onde mora

qualquer ingratidão, qualquer dureza;

mas não pode acabar minha tristeza,

enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro,

e o mais ledo prazer em choro triste;

o tempo a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro

o peito de diamante, onde consiste

a pena e o prazer desta esperança.

Luís Vaz de Camões (1524?-1580)

Soneto 133

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mitologia grega (timeline)

10 Aug 2009 4:13 P GMT+01
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Cúpula de Hiroshima (64 anos...)

7 Aug 2009 6:51 P GMT+01
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Entrevista com Claude Lévi-Strauss em 1972

5 Aug 2009 6:15 P GMT+01

  

Anotação:  

You Tube - Entrevista com Claude Lévi-Strauss (1972) 6/6

http://www.youtube.com/watch?v=X2FNWhf_4v8&feature=related

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Ouranos desposou a Terra...

4 Aug 2009 10:15 P GMT+01

Urano

(descoberto em 1781, o planeta Urano recebeu o nome do deus grego, por ser o planeta mais longe do sol na época)

Descrição:
O céu, filho da Terra ((Gaia)), existe desde o início de tudo. Ouranos desposou a Terra e foi pai dos Ciclopes e dos Cem-Mãos, mais tarde dos 12 Deuses Titãs. Tendo enviado os Ciclopes para Tartarus, a Terra convenceu Cronos, o Titã mais novo a iniciar uma rebelião contra os céus. Cronos castrou seu pai (escondido dentro da vagina de sua mãe) e expulsou-o para vagar pelos céus.
Rege Aquário.

Fonte:   http://members.fortunecity.com/dionisio4/Manualdeuses.htm

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"Em busca da memória perdida"...

3 Aug 2009 9:49 P GMT+01
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Conium maculatum

31 Jul 2009 6:20 P GMT+01

 ***

A democracia ocidental do nosso tempo parece-nos encerrar um duplo desacerto, pois nem constitui maiorias reais nem escolhe os mais capazes.

MR090730

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A selecção cultural

30 Jul 2009 2:38 P GMT+01

A ciência é praticamente unânime quanto à independência do processo de transmissão genética em relação ao meio e à circunstância em geral. Ou seja, a evolução faz-se por selecção natural, transmissão e combinação de códigos inalterados; as vicissitudes e transformações, de toda a ordem, durante a nossa vida não têm qualquer interferência no legado genético. 

Todavia, para além dos factores ambientais que determinam o processo de selecção, constituirá matéria de reflexão, no caso da espécie humana, a influência directa ou indirecta das conjunturas culturais ao longo do tempo histórico. Disso nos dá exemplo drástico a proibição ou inibição da relação matrimonial entre raças, etnias, tribos ou religiões… 

MR090730

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Actos de lingua­gem / Searle

19 Jul 2009 3:22 P GMT+01

"A capacidade que têm os actos de lingua­gem de representar objectos e estados de coi­sas do mundo é uma extensão das capaci­dades biologicamente mais fundamentais que tem a mente (ou o cérebro) de pôr o organismo em relação com o mundo por meio de estados mentais tais como a crença ou o desejo, e em particular através da acção e da percepção."

John R. Searle (n. 1932)

 

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Esplanada / Manuel António Pina

18 Jul 2009 3:38 P GMT+01
 

Esplanada (1991)

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

.

Manuel António Pina (n. 1943)

placa-mãe

16 Jul 2009 6:18 P GMT+01
 .

Somos membros de uma dada comunidade linguística

23 May 2009 6:10 P GMT+01

“O mundo é-nos apresentado num fluxo caleidoscópico de impressões que têm  que ser organizadas e nossas mentes – em grande parte organizada pelo sistema linguístico nas nossas mentes. Esculpimos a natureza em conceitos porque somos membros de uma dada comunidade linguística que combinou organizar as coisas deste modo – um acordo que se mantém estável por toda a comunidade linguística e se encontra codificado na língua.”

Benjamin Lee Whorf (1897-1941)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Ideias preconcebidas /antropologia

22 May 2009 4:32 P GMT+01

"Conhecer bem a teoria científica e estar a par de suas últimas descobertas não significa estar sobrecarregado de ideias preconcebidas. Se um homem parte numa expedição decidido a provar certas hipóteses e é incapaz de mudar os seus pontos de vista constantemente, abandonando-os sem hesitar ante a pressão da evidência, sem dúvida o seu trabalho será inútil."

Bronisław Kasper Malinowski (1884-1942)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Acontecimento histórico dividido segundo o espaço e o tempo...

20 May 2009 6:48 P GMT+01

“Uma vez que todo o acontecimento é tão histórico quanto outro, pode-se dividir o campo factual com toda a liberdade. Como se explica que ainda se insista em dividi-lo tradicionalmente segundo o espaço e o tempo, ‘história da França’ ou ‘o século XVII’, segundo singularidades e não especificidades? Por que ainda são raros livros intitulados: ‘O Messianismo revolucionário através da História?’, ‘As Hierarquias Sociais de 1450 aos nossos dias, na França, China, Tibete e URSS’ ou ‘paz e guerra entre as nações’, para parafrasear títulos de três obras recentes?”

Paul Veyne (n.1930)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Benedetti / Porque cantamos

19 May 2009 6:07 P GMT+01

  

Porque cantamos

Si cada hora viene con su muerte
si el tiempo es una cueva de ladrones
los aires ya no son los buenos aires
la vida es nada más que un blanco móvil

usted preguntará por qué cantamos

si nuestros bravos quedan sin abrazo
la patria se nos muere de tristeza
y el corazón del hombre se hace añicos
antes aún que explote la vergüenza

usted preguntará por qué cantamos

si estamos lejos como un horizonte
si allá quedaron árbores y cielo
si cada noche es siempre alguna ausencia
y cada despertar un desencuentro

usted preguntará por qué cantamos

cantamos porque el río está sonando
y cuando suena el río / suena el río
cantamos porque el cruel no tiene nombre
y en cambio tiene nombre su destino


Mario Benedetti (14 de Setembro de 1920 - 17 de Maio de 2009)
In.: Retratos y Canciones

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Desobediência Civil

18 May 2009 4:51 P GMT+01

Será que o cidadão deve desistir da sua consciência, mesmo por um único instante ou em última instância, e dobrar-se ao legislador? Por que então será cada pessoa dotada de uma consciência? Em minha opinião, devemos ser primeiramente homens, e só posteriormente súbditos. (…) A única obrigação que tenho direito de assumir é a de fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo.”

Henry David Thoreau (1817-1862)

In.: A Desobediência Civil

(tradução livre do português-Brasil)

 

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Lisboa que amanhece

17 May 2009 6:43 P GMT+01

 

Lisboa que amanhece

Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge ser
ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua
cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
são da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
amou como se fosse
a mais indefesa
princesa
que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
à noite é prisioneiro dos olhares
ao cais dos miradouros
vão chegando dos bares
os navegantes
amantes
das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
que as dádivas da noite são eternas
mal chega a madrugada
tem que rapar as pernas
para que o dia não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

Em sonhos, é sabido, não se morre
aliás essa é a única vantagem
de, após o vão trabalho
o povo ir de viagem
ao sono fundo
fecundo
em glórias e terrores e venturas

E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu costume, transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

Sérgio Godinho (n. 1945)

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A verdade sincrónica e a verdade diacrónica

16 May 2009 3:28 P GMT+01

“A verdade sincrónica parece ser a negação da verdade diacrónica e, vendo as coisas superficialmente, parecerá a alguém que cumpre escolher entre as duas; de facto, não é necessário, uma das verdades não exclui a outra.”

Ferdinand de Saussure (1857-1913)

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"O que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é"

15 May 2009 5:59 P GMT+01

“Neste instante gigantesco, vi milhões de actos agradáveis ou atrozes; nenhum me assombrou mais do que o facto de todos ocuparem o mesmo ponto, sem sobreposição e sem transparência. O que os meus olhos viram foi simultâneo; o que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é.

Jorge Luis Borges Acevedo (1899-1986)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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A memória, um fenómeno social

14 May 2009 5:59 P GMT+01

 “a memória deveria ser analisada como um fenómeno social, construída colectivamente e passível de constantes transformações, o que contraria as hipóteses de que a memória se apresenta puramente individual.”

(…)

 “a memória é resultado do movimento do sujeito no acto da memorização, como também é a acção dos diversos grupos sociais nas suas histórias, no passado e no presente”

Maurice Halbwachs (1877-1945)

(tradução livre a partir do português-Brasil)

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As condições necessárias para criar

13 May 2009 3:39 P GMT+01

“Todo o inventor, por genial que seja, é sempre produto da sua época e do seu ambiente. Sua obra criadora partirá dos níveis alcançados com a anterioridade e se apoiará nas possibilidades que existem também fora dela. Por isso notamos estrita sequência no desenvolvimento histórico da ciência e da técnica. Nenhum descobrimento, nenhuma invenção científica aparecem antes que se criem as condições materiais e psicológicas necessárias para o seu surgimento.

(…)

Isso mesmo explica a distribuição desproporcionada de inventores e inovadores nas diversas classes sociais. As classes privilegiadas têm dado uma percentagem consideravelmente maior de criadores científicos, técnicos e artísticos por terem precisamente nas suas mãos todas as condições necessárias para criar.”

Lev S. Vygotsky (1896-1934)

(tradução livre a partir do português-Brasil)

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