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Benjamin Lee Whorf (1897-1941)
(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)
Bronisław Kasper Malinowski (1884-1942)
(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)
Paul Veyne (n.1930)
(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)
Henry David Thoreau (1817-1862)
In.: A Desobediência Civil
(tradução livre do português-Brasil)
Lisboa que amanhece
Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge ser
ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua
cegueira da razão e do desejo
A noite é cega e as sombras de Lisboa
são da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
amou como se fosse
a mais indefesa
princesa
que as trevas algum dia coroaram
Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece
O Tejo que reflecte o dia à solta
à noite é prisioneiro dos olhares
ao cais dos miradouros
vão chegando dos bares
os navegantes
amantes
das teias que o amor e o fumo tecem
E o Necas que julgou que era cantora
que as dádivas da noite são eternas
mal chega a madrugada
tem que rapar as pernas
para que o dia não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes
Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece
Em sonhos, é sabido, não se morre
aliás essa é a única vantagem
de, após o vão trabalho
o povo ir de viagem
ao sono fundo
fecundo
em glórias e terrores e venturas
E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu costume, transfigura
Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece
Sérgio Godinho (n. 1945)
Ferdinand de Saussure (1857-1913)
Jorge Luis Borges Acevedo (1899-1986)
(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)
(…)
“a memória é resultado do movimento do sujeito no acto da memorização, como também é a acção dos diversos grupos sociais nas suas histórias, no passado e no presente”
Maurice Halbwachs (1877-1945)
(tradução livre a partir do português-Brasil)(…)
Isso mesmo explica a distribuição desproporcionada de inventores e inovadores nas diversas classes sociais. As classes privilegiadas têm dado uma percentagem consideravelmente maior de criadores científicos, técnicos e artísticos por terem precisamente nas suas mãos todas as condições necessárias para criar.”
Lev S. Vygotsky (1896-1934)
(tradução livre a partir do português-Brasil)
(…)
As nossas actividades biológicas mais elementares, comer, beber, dormir, defecar, acasalar-se estão estreitamente ligadas a normas, interdições, valores, símbolos, mitos, ritos, prescrições, tabus, ou seja, ao que há de mais estritamente cultural.
As nossas actividades mais espirituais (reflectir, meditar) estão ligadas ao cérebro, e as mais estéticas (cantar, dançar) estão ligadas ao corpo. O cérebro, com o qual pensamos, a boca, pela qual falamos, a mão, com que escrevemos, são totalmente biológicos e, ao mesmo tempo, culturais.”
Edgar Nahoum Morin (n. 1921)
(traduzido do português-Brasil da Internet)
Benjamin Lee Whorf (1897-1941)
(versão publicada em "O Jardim Noturno", em português-Brasil)
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
15/04/1962
Vinicius de Moraes (1913-1980)
In:. "Jardim Noturno - Poemas Inéditos"Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.
Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.
Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.
Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.
The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)
In.: Genealogia da moral
(tradução livre do português-Brasil)Émile Durkheim (1858-1917)
(tradução livre a partir do português-Brasil)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951)
Armand Mattelart (n. 1936)
(tradução livre do português-Brasil)
O código gramatical é, então, uma adaptação relativamente tardia, tanto ontogénica como filogeneticamente. O proveito de algumas partes do código gramatical para funcionar expressiva e sócio-interactivamente deve ser visto como uma adaptação secundária, de um recurso que foi desenvolvido inicialmente para uma outra função (comunicação). Tais adaptações secundárias são comuns noutras adaptações biológicas (…)”
Talmy "Tom" Givón (n. 1936)
Maurice Halbwachs (1877-1945)
(tradução livre do português-Brasil)
A linguagem não é nenhum instrumento, nenhuma ferramenta. Pois uma das características essenciais do instrumento é dominarmos o seu uso, e isso significa que lançamos mão e nos desfazemos dele depois que prestou seu serviço. Não acontece o mesmo quando pronunciamos as palavras disponíveis de um idioma e depois de utilizadas deixamos que retornem ao vocabulário comum de que dispomos. Esse tipo de analogia é falso porque nunca nos vemos como consciência diante do mundo para, num estado desprovido de linguagem, lançarmos mão do instrumental do entendimento. Pelo contrário, em todo conhecimento de nós mesmos e do mundo, já fomos apossados pela nossa própria linguagem
É aprendendo a falar que crescemos, conhecemos o mundo, conhecemos as pessoas e por fim nos conhecemos a nos próprios. Aprender a falar não significa ser introduzido na arte de designar o mundo que nos é familiar e conhecido pelo uso de uma instrumentária já dada, mas antes conquistar a familiaridade e o conhecimento do próprio mundo, tal como ele se nos apresenta.”
Hans-Georg Gadamer (1900-2002)
Immanuel Kant (1724-1804)
Pierre-Félix Guattari (1930-1992)

