"o sonho de um é parte da memória de todos." 

Jorge Luis Borges<

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DISTINÇÃO MNEMOSYNE

Somos membros de uma dada comunidade linguística

23 May 2009 6:10 P GMT+01

“O mundo é-nos apresentado num fluxo caleidoscópico de impressões que têm  que ser organizadas e nossas mentes – em grande parte organizada pelo sistema linguístico nas nossas mentes. Esculpimos a natureza em conceitos porque somos membros de uma dada comunidade linguística que combinou organizar as coisas deste modo – um acordo que se mantém estável por toda a comunidade linguística e se encontra codificado na língua.”

Benjamin Lee Whorf (1897-1941)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Ideias preconcebidas /antropologia

22 May 2009 4:32 P GMT+01

"Conhecer bem a teoria científica e estar a par de suas últimas descobertas não significa estar sobrecarregado de ideias preconcebidas. Se um homem parte numa expedição decidido a provar certas hipóteses e é incapaz de mudar os seus pontos de vista constantemente, abandonando-os sem hesitar ante a pressão da evidência, sem dúvida o seu trabalho será inútil."

Bronisław Kasper Malinowski (1884-1942)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Acontecimento histórico dividido segundo o espaço e o tempo...

20 May 2009 6:48 P GMT+01

“Uma vez que todo o acontecimento é tão histórico quanto outro, pode-se dividir o campo factual com toda a liberdade. Como se explica que ainda se insista em dividi-lo tradicionalmente segundo o espaço e o tempo, ‘história da França’ ou ‘o século XVII’, segundo singularidades e não especificidades? Por que ainda são raros livros intitulados: ‘O Messianismo revolucionário através da História?’, ‘As Hierarquias Sociais de 1450 aos nossos dias, na França, China, Tibete e URSS’ ou ‘paz e guerra entre as nações’, para parafrasear títulos de três obras recentes?”

Paul Veyne (n.1930)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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Benedetti / Porque cantamos

19 May 2009 6:07 P GMT+01

  

Porque cantamos

Si cada hora viene con su muerte
si el tiempo es una cueva de ladrones
los aires ya no son los buenos aires
la vida es nada más que un blanco móvil

usted preguntará por qué cantamos

si nuestros bravos quedan sin abrazo
la patria se nos muere de tristeza
y el corazón del hombre se hace añicos
antes aún que explote la vergüenza

usted preguntará por qué cantamos

si estamos lejos como un horizonte
si allá quedaron árbores y cielo
si cada noche es siempre alguna ausencia
y cada despertar un desencuentro

usted preguntará por qué cantamos

cantamos porque el río está sonando
y cuando suena el río / suena el río
cantamos porque el cruel no tiene nombre
y en cambio tiene nombre su destino


Mario Benedetti (14 de Setembro de 1920 - 17 de Maio de 2009)
In.: Retratos y Canciones

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Desobediência Civil

18 May 2009 4:51 P GMT+01

Será que o cidadão deve desistir da sua consciência, mesmo por um único instante ou em última instância, e dobrar-se ao legislador? Por que então será cada pessoa dotada de uma consciência? Em minha opinião, devemos ser primeiramente homens, e só posteriormente súbditos. (…) A única obrigação que tenho direito de assumir é a de fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo.”

Henry David Thoreau (1817-1862)

In.: A Desobediência Civil

(tradução livre do português-Brasil)

 

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Lisboa que amanhece

17 May 2009 6:43 P GMT+01

 

Lisboa que amanhece

Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge ser
ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua
cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
são da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
amou como se fosse
a mais indefesa
princesa
que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
à noite é prisioneiro dos olhares
ao cais dos miradouros
vão chegando dos bares
os navegantes
amantes
das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
que as dádivas da noite são eternas
mal chega a madrugada
tem que rapar as pernas
para que o dia não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

Em sonhos, é sabido, não se morre
aliás essa é a única vantagem
de, após o vão trabalho
o povo ir de viagem
ao sono fundo
fecundo
em glórias e terrores e venturas

E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu costume, transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

Sérgio Godinho (n. 1945)

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A verdade sincrónica e a verdade diacrónica

16 May 2009 3:28 P GMT+01

“A verdade sincrónica parece ser a negação da verdade diacrónica e, vendo as coisas superficialmente, parecerá a alguém que cumpre escolher entre as duas; de facto, não é necessário, uma das verdades não exclui a outra.”

Ferdinand de Saussure (1857-1913)

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"O que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é"

15 May 2009 5:59 P GMT+01

“Neste instante gigantesco, vi milhões de actos agradáveis ou atrozes; nenhum me assombrou mais do que o facto de todos ocuparem o mesmo ponto, sem sobreposição e sem transparência. O que os meus olhos viram foi simultâneo; o que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é.

Jorge Luis Borges Acevedo (1899-1986)

(tradução livre para o português-Portugal a partir do português-Brasil)

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A memória, um fenómeno social

14 May 2009 5:59 P GMT+01

 “a memória deveria ser analisada como um fenómeno social, construída colectivamente e passível de constantes transformações, o que contraria as hipóteses de que a memória se apresenta puramente individual.”

(…)

 “a memória é resultado do movimento do sujeito no acto da memorização, como também é a acção dos diversos grupos sociais nas suas histórias, no passado e no presente”

Maurice Halbwachs (1877-1945)

(tradução livre a partir do português-Brasil)

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As condições necessárias para criar

13 May 2009 3:39 P GMT+01

“Todo o inventor, por genial que seja, é sempre produto da sua época e do seu ambiente. Sua obra criadora partirá dos níveis alcançados com a anterioridade e se apoiará nas possibilidades que existem também fora dela. Por isso notamos estrita sequência no desenvolvimento histórico da ciência e da técnica. Nenhum descobrimento, nenhuma invenção científica aparecem antes que se criem as condições materiais e psicológicas necessárias para o seu surgimento.

(…)

Isso mesmo explica a distribuição desproporcionada de inventores e inovadores nas diversas classes sociais. As classes privilegiadas têm dado uma percentagem consideravelmente maior de criadores científicos, técnicos e artísticos por terem precisamente nas suas mãos todas as condições necessárias para criar.”

Lev S. Vygotsky (1896-1934)

(tradução livre a partir do português-Brasil)

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As nossas actividades biológicas

11 May 2009 2:47 P GMT+01

“Como não ver que o mais biológico – o nascimento, o sexo, a morte – é, ao mesmo tempo, o mais impregnado de símbolos e de cultura?

 (…)

As nossas actividades biológicas mais elementares, comer, beber, dormir, defecar, acasalar-se estão estreitamente ligadas a normas, interdições, valores, símbolos, mitos, ritos, prescrições, tabus, ou seja, ao que há de mais estritamente cultural.

As nossas actividades mais espirituais (reflectir, meditar) estão ligadas ao cérebro, e as mais estéticas (cantar, dançar) estão ligadas ao corpo. O cérebro, com o qual pensamos, a boca, pela qual falamos, a mão, com que escrevemos, são totalmente biológicos e, ao mesmo tempo, culturais.”

Edgar Nahoum Morin (n. 1921)

(traduzido do português-Brasil da Internet)

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Cada língua é um vasto sistema diferente dos outros

10 May 2009 3:08 P GMT+01

“Cada língua é um vasto sistema diferente dos outros no qual são ordenadas culturalmente as formas e as categorias pelas quais as pessoas não só comunicam como também analisam a natureza e os tipos de relações e de fenómenos, ordenam o seu raciocínio e constroem a sua consciência.”

Benjamin Lee Whorf (1897-1941)

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O Haver / Vinicius de Moraes

9 May 2009 2:54 P GMT+01

 .
                            
.
                             O Haver

(versão publicada  em "O Jardim Noturno",  em português-Brasil)

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962

Vinicius de Moraes (1913-1980)

                            In:. "Jardim Noturno - Poemas Inéditos"

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The Times They Are A-Changin'

8 May 2009 5:24 P GMT+01

The  Times They Are A-Changin'

Bob  Dylan (n. 1941)   

→  ¤

Come gather 'round people

Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.

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Uma vontade de poder

7 May 2009 5:31 P GMT+01

“Mesmo tendo-se compreendido bem a utilidade de um órgão fisiológico (ou de uma instituição de direito, de um costume social, de um estatuto político, de uma determinada forma das artes ou do culto religioso), nada se compreendeu acerca de sua génese (Entstehung): por mais incómodo e desagradável que isto soe aos ouvidos mais antigos ― pois há muito se acreditava perceber no fim demonstrável, na utilidade de uma coisa, uma forma, uma instituição, também a razão da sua génese (Entstehungsgrund), o olho tendo sido feito para ver, e a mão  para pegar. Assim se imaginou o castigo como inventado para castigar. Mas todos os fins, todas as utilidades são apenas indícios de que uma vontade de poder (Wille zur Macht) se assenhorou de algo menos poderoso e lhe imprimiu o sentido de uma função; e toda a  história de uma ´coisa`, um órgão, um uso, pode desse modo ser uma ininterrupta cadeia de signos de novas interpretações e ajustes incessantes, cujas causas nem precisam de estar relacionadas entre si, antes podendo suceder-se e substituir-se de maneira meramente casual.”

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)

In.: Genealogia da moral

(tradução livre do português-Brasil)

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"A criança só pode conhecer o dever através dos seus pais e mestres"

6 May 2009 4:58 P GMT+01

“A criança só pode conhecer o dever através dos seus pais e mestres. É preciso  que estes sejam para ela a encarnação e a personificação do dever. Isto é, que a autoridade moral seja a qualidade fundamental do educador. A  autoridade não é violenta, ela consiste em certa ascendência moral. Liberdade e autoridade não são termos excludentes, eles coadjuvam. A  liberdade é filha da autoridade  bem compreendida. Pois, ser livre não consiste em fazer aquilo que se tem vontade, e sim em ser dono de si próprio, em saber agir segundo a razão e cumprir com o dever. E justamente a autoridade do mestre deve ser empregada  em dotar a criança desse domínio sobre si mesma.”

Émile Durkheim (1858-1917)

(tradução livre a partir do português-Brasil)

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Numa época sem cultura...

5 May 2009 5:49 P GMT+01

“Uma cultura é como uma grande organização que atribui a cada um de seus membros um lugar em que ele pode trabalhar no espírito do conjunto; e é perfeitamente justo que o seu poder seja medido pela contribuição que consegue dar ao todo. Numa época sem cultura, por outro lado, as forças tornam-se fragmentárias e o poder do indivíduo consome-se na tentativa de vencer forças opostas e resistências ao atrito; tal poder não é visível na distância que percorre, mas unicamente no calor por ele produzido ao vencer o atrito.

Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951)

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"O poder é uma questão de controlo do espaço e do tempo"

4 May 2009 4:52 P GMT+01

“(…) são as tendências assumidas pela comunicação em seus diferentes aspectos tecnológicos que determinam as formas da organização social. Os ‘monopólios do saber’ determinados pela tecnologia comandam a distribuição do poder político entre os grupos sociais. O poder é uma questão de controlo do espaço e do tempo. Os sistemas de comunicação moldam a organização social porque estruturam relações temporais e espaciais. Na história, distinguem-se duas formas de mass media ou comunicação, que cedem lugar a duas formas de domínio. A primeira, ligada ao espaço (...), simbolizada pela imprensa e pela comunicação electrónica, conduz à expansão e ao controlo do território. A segunda, ligada ao tempo (...), transmitida pela cultura oral e manuscrita, favorece a memória, o senso histórico, pequenas comunidades e formas tradicionais de poder. A primeira visa à centralização; a outra, ao seu contrário.”

Armand Mattelart (n. 1936)

(tradução livre do português-Brasil)

O código gramatical é uma adaptação tardia

3 May 2009 3:21 P GMT+01

“(…) de uma perspectiva evolutiva, é muito provável que os aspectos sociais da comunicação sejam muito mais antigos do que a comunicação codificada pela gramática, e que seu sistema de sinais tenha evoluído muito antes do advento da gramática, ou até mesmo da comunicação verbal. O mesmo certamente se aplica para o curso do desenvolvimento da  linguagem, quando adquirida por crianças (...)

O código gramatical é, então, uma adaptação relativamente tardia, tanto ontogénica como filogeneticamente. O proveito de algumas partes do código gramatical para funcionar expressiva e sócio-interactivamente deve ser visto como uma adaptação secundária, de um recurso que foi desenvolvido inicialmente para uma outra função (comunicação). Tais adaptações secundárias são comuns noutras adaptações biológicas (…)”

Talmy "Tom" Givón (n. 1936)

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Uma memória mais ampla que desapareceu

30 Apr 2009 4:09 P GMT+01

“Que me importa que os outros ainda estejam dominados por um sentimento que eu experimentava com eles outrora e que já não experimento hoje?  Já não posso despertá-lo em mim porque há muito tempo que não há mais nada em comum entre mim e os meus antigos companheiros. Não é culpa nem da minha memória nem da deles. Porém, uma memória mais ampla, que compreendia ao mesmo tempo a minha e a deles, desapareceu.”

Maurice Halbwachs (1877-1945)

(tradução livre do português-Brasil)

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"A linguagem não é nenhum instrumento, nenhuma ferramenta..."

29 Apr 2009 3:01 P GMT+01

“(…) A linguagem não é um dos meios pelos quais a consciência comunica com o mundo. Não representa um terceiro instrumento, ao lado do signo e da ferramenta - embora esses façam certamente parte da caracterização essencial do homem.

A linguagem não é nenhum instrumento, nenhuma ferramenta. Pois uma das características essenciais do instrumento é dominarmos o seu uso, e isso significa que lançamos mão e nos desfazemos dele depois que prestou seu serviço. Não acontece o mesmo quando pronunciamos as palavras disponíveis de um idioma e depois de utilizadas deixamos que retornem ao vocabulário comum de que dispomos. Esse tipo de analogia é falso porque nunca nos vemos como consciência diante do mundo para, num estado desprovido de linguagem, lançarmos mão do instrumental do entendimento. Pelo contrário, em todo conhecimento de nós mesmos e do mundo, já fomos apossados pela nossa própria linguagem

É aprendendo a falar que crescemos, conhecemos o mundo, conhecemos as pessoas e por fim nos conhecemos a nos próprios. Aprender a falar não significa ser introduzido na arte de designar o mundo que nos é familiar e conhecido pelo uso de uma instrumentária já dada, mas antes conquistar a familiaridade e o conhecimento do próprio mundo, tal como ele se nos apresenta.”

Hans-Georg Gadamer (1900-2002)

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A universalidade da lei

28 Apr 2009 4:21 P GMT+01

“Uma vez que a universalidade da lei, segundo a qual certos efeitos se produzem, constitui aquilo que se chama propriamente natureza no sentido mais lato da palavra (quanto à forma), quer dizer a realidade das coisas enquanto é determinada por leis universais, o imperativo universal do dever poderia também exprimir- se assim: Age como se a máxima da tua acção se devesse tornar, pela tua vontade, em lei universal da natureza.”

Immanuel Kant (1724-1804)

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Frutos da Primavera

27 Apr 2009 5:03 P GMT+01
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Controlo da subjectivização

26 Apr 2009 6:09 P GMT+01

“O que caracteriza os modos de produção capitalistas é que eles não funcionam unicamente no registo dos valores de troca, valores que são da ordem do capital, das semióticas monetárias ou dos modos de financiamento. Eles funcionam também através de um modo de controlo da subjectivização, que eu chamaria de ´cultura de equivalência` ou de ´sistemas de equivalência na esfera da cultura`. Desse ponto de vista o capital funciona de modo complementar à cultura enquanto conceito de equivalência: o capital ocupa-se da sujeição económica, e a cultura da sujeição subjectiva.”

Pierre-Félix Guattari (1930-1992)

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